Medo e delírio nas lan houses
Lan house é como motel. Cuidado com as bocas de porco.
Deve haver muitas lan houses boas por aí. Mas não tenho carna para encontrá-las. Apenas a da Saraiva do Shopping Praia de Belas, em Porto Alegre, RS, ofereceu o tipo de serviço que eu precisava. E que era simples: conectar meu Mac e manter uma rede wireless de bom desempenho.
Nas outras vezes, mesmo em SP, encontro uma mesma cena: computadores bugados, com sistemas operacionais desatualizados, vulneráveis a vírus e funcionários destreinados. Alguns até com má-vontade, por causa das minhas escolhas tecnológicas ou seja: usar Mac OS X ou Linux.
Montar uma lan house é uma grande responsabilidade. Nem todas as pessoas utilizam esse tipo de serviços apenas para jogar Quake. Há quem faça transações bancárias, escreva textos confidenciais etc.
Portanto, aqueles que escolhem esse ramo de negócio, devem oferecer um serviço minimamente seguro e sério. No mínimo devem procurar se informar sobre sua profissão. Não basta ligar computadores, liberar senhas e cobrar os minutos no final.
Boa parte dos usuários mal sabe o que é um navegador e não tem noção dos riscos de usar senhas em qualquer computador boca de porco. Assim, se você precisar mesmo encarar uma lan house no seu dia-a-dia, vale considerar as seguintes dicas:
1. Evite fazer trabalhos muito importantes nesse tipo de ambiente. Você não conhece a rede instalada, os padrões de segurança etc.
2. Nunca deixe suas senhas expostas ou salvas nos computadores. Por exemplo, ao entrar no Gmail, lembre-se de desmarcar a opção lembrar meus dados neste computador.
3. Se possível, use o seu próprio laptop. Se o funcionário demonstrar que não sabe como conecta-lo, desconfie. A lan house deve ser mantida por amadores e seus dados podem estar mais vulneráveis.
4. Confira qual é o sistema operacional e navegador usados no local. Windows 2000 com Explorer 6 é uma configuração arriscada. São softwares muito antigos e problemáticos. Se precisar mesmo permanecer no local, verifique ou pergunte se os computadores têm antivírus, firewall etc.
5. Limpe o cache e o histórico do navegador quando for deixar de usar o micro.
Eu poderia ir além. Mas vou resumir no seguinte: lan house não é um neo-fliperama. Lan house é como um motel. Você não vai querer expor suas intimidades em qualquer lugar, vai?
enviada por eduf
18/08/2008 11:23
Segunda-feira: 5 dicas para combater o saco-cheio
No pódio é fácil. Mas atleta também tem segunda-feira.
Para muitos de nós a segunda-feira é uma verdadeira tortura. É o dia de enfrentar o sentimento de que se está no lugar errado, forçando-se a mais uma semana chata e repetitiva. Em especial, em época de Olimpíadas, o saco-cheio ganha ainda mais poder, já que a mídia entope nossas mentes o tempo todo com casos de superação pessoal, de perseverança, numa sucessão diária de cinderelas e gatas borralheiras. Parece que, se tivermos um "sonho", imediatamente tudo fará sentido.
Não é tão fácil assim. Boa parte das pessoas passa a vida toda sem conseguir encontrar um sonho claro para perseguir. Então, vamos ser práticos e enfrentar o que temos agora. Como evitar o saco-cheio na segunda?
1. Não dê tanta realidade às suas próprias emoções. Quando está com dor de cabeça, você não se condena, achando que nasceu para sofrer ou que sua vida inteira é uma porcaria. De modo geral, pensa: agora estou com enxaqueca. Em vez de entrar no espírito de vítima, perceba que emoções aflitivas são um fenômeno impermanente, assim como o prazer. Aprenda a pensar por contexto: o que está acontecendo agora?
2. Identifique claramente a situação. Quando, como e por que você fica de saco-cheio? Você não odeia "seu emprego" ou "sua vida". Detesta um conjunto de detalhes que, interconectados, causam mal-estar. É possível criar soluções caso a caso? Renegociar acordos, desistir de certas frescuras, mudar procedimentos? O que pode ser feito? Qual é a próxima ação?
3. Você já tentou enfrentar a situação de vez? Ou está se bloqueando? Suponha que você tenha que terminar uma planilha chata no Excel. Ela é realmente tão tediosa? Ou você não sabe exatamente, já que está muito ocupado remoendo seus próprios sentimentos? Muitas vezes, nosso maior obstáculo é a resistência ao cotidiano. E essa é a maior tortura que alguém pode se auto-aplicar. Não resolve, não cria mudanças, nos deixa estagnados.
4. O que você faz enquanto procrastina? Quando não quer realizar uma tarefa supostamente chata, de que se ocupa? A maneira como você foge do trabalho pode ser reveladora. Pode indicar algum outro caminho profissional menos problemático. Por exemplo, quando estou de saco cheio de escrever, geralmente gosto de criar temas para Wordpress. E você, fica só no MSN? Sobre o que fala? Há algo que possa ser usado a seu favor?
5. Tente reinventar sua rotina. Sempre que puder, mude de sala, a organização do seu espaço, seus procedimentos, renove o entusiasmo pelo que faz. Resgate a diversão de trabalhar.
Durante as olimpíadas, enquanto os contos de fada circulam, poucos se lembram de que os treinamentos dos atletas são rotinas emocionalmente aflitivas. Todos os "heróis" enfrentam segundas-feiras tediosas. E, se eles trabalharem pensando só no pódio, na consagração do sonho, provavelmente não se manterão na profissão. De alguma maneira, eles têm que gostar do treino, do cotidiano das micro-superações, de esticar seus limites, nem que seja por segundos.
Quem pensa só em resultados, está no caminho das grandes frustrações. Quem estabelece uma boa relação com os processos cotidianos pode ter vitórias diárias.
enviada por eduf
15/08/2008 11:42
Por que o suporte técnico não ajuda?
A relação entre conhecedores e leigos em informática tende sempre a ser tensa. Várias vezes já defendi leigos por aqui, sugerindo que, nós, profissionais de tecnologia, precisamos desenvolver uma linguagem que seja capaz de mantê-los calmos e confiantes quando se sentam em frente aos computadores. Mas há limites.
Uso os termos "calmos e confiantes" porque, na maioria das vezes, os problemas dos leigos não vêm de linhas de código e sim do sistema operacional emocional. Ou seja: da impaciência, ansiedade, ignorância e arrogância.
No Brasil, infelizmente, temos essa cultura de querer ensinar medicina aos médicos. Antes mesmo do resultado do exame, já queremos criticar o profissional. No caso da informática, há a famosa expressão "deu pau". A pessoa escreve para o suporte, cheia de direitos, dizendo que algo saiu errado e que alguém deve consertar o aplicativo bugado. Imediatamente.
Como assim, bugado? De onde a pessoa tirou essa idéia? Executou testes? Investigou todas as alternativas? Não. Apenas pratica a ansiedade leiga, que é digna de pena, já que é totalmente improdutiva. Cria mais obstáculos do que resoluções.
Seria como ir ao médico com dor de cabeça e reclamar que o cérebro está bugado. "Dê um jeito nisso, doutor. Mas sem me dar muito trabalho, afinal, a cabeça deveria funcionar". Isso sem dar uma vírgula de informação sobre o que aconteceu. "Fulano tentou enviar uma ficha de inscrição duas vezes e deu pau". Como assim? Quem é a pessoa? O que está fazendo? Que softwares usa?
Aos olhos de quem reclama, todo problema tecnológico parece ser simples. Mas se você não entende do assunto, seja humilde. Coloque-se no seu lugar e faça o que o suporte pede. Ao falar com a equipe de TI, esteja disponível para responder perguntas e ajudá-la.
Ou você prefere continuar tomando remédios sem ler a bula e ficar pulando de médico em médico, cada vez mais doente?
enviada por eduf
14/08/2008 18:06
[Vídeo] Bienal: os livros recomendados pelo Magaiver
enviada por eduf
13/08/2008 21:23
Como manter o foco em ambientes de trabalho barulhentos
Neste exato momento, estou em SP, escrevendo num Starbucks. O ambiente tem todo tipo de distrações que você puder imaginar: de James Taylor cantando no rádio a vários adolescentes nas mesas ao lado. No cotidiano, vários de nós temos que conviver com locais de trabalho mais ou menos assim. Como fazer para se concentrar e dar conta das suas tarefas?
Primeiro, entender quais os tipos de distração que podemos enfrentar:
1. Distrações ruído de fundo. São as mais fáceis de lidar. Por mais incômodas que sejam, o cérebro é capaz de isolar a informação e deixar de dar significado consciente a ela. Em outras palavras, você não presta muita atenção. Se deixar de resistir, se deixar de tentar lutar contra a distração, se não der realidade demais a ela, seu cérebro rapidamente se encarregará de produzir uma concentração sem esforço. Isso é um processo tão natural que não percebemos, por exemplo, o ruído da nossa própria respiração, embora ele esteja lá o tempo todo.
2. Distrações-requisições. Acontecem quando alguém se dirige diretamente a você. Por exemplo: digamos que esteja trabalhando em casa e seus filhos queiram atenção. Muitas vezes, não é possível simplesmente ignorar situações como essa. Você vai ter que parar, ouvir e negociar quando e como vai poder atender a quem o interrompeu. Nesses momentos, a melhor saída é ter um bom sistema para anotar onde parou. Um simples bloco de notas pode ajudar. Não confie na sua memória. Você pode demorar vários minutos até lembrar o que estava fazendo antes.
3. Auto-distrações. Quando você, de alguma forma, quer ser distraído. Ou seja: começa a visitar sites aleatoriamente, procrastinar, se perder nos próprios pensamentos. Em especial, estados emocionais aflitivos podem distraí-lo completamente. Eles aparecem quando você quer martelar para si mesmo que tem a pior vida do universo, que tudo lhe dói, que o mundo é horrível etc. Ou que está atarefado demais, entediado etc. Geralmente, gostamos de fazer essas cenas em público, para que recebamos algum tipo de colo - muitas vezes totalmente imaginário, como postar uma reclamação no Twitter e pensar que alguém a leu, mesmo que não tenha recebido qualquer feedback.
As auto-distrações são as mais difíceis de evitar. Mas também são as mais reveladoras. Porque deixam claro que a distração não está exatamente no ambiente de trabalho. Mas na sua cabeça. Você pode se isolar numa caverna, fechar todos os programas divertidos do computador, mandar o universo parar de se expandir. Nada vai adiantar.
Ainda mais se você estiver envolvido no processo de criar uma tragédia pessoal. Quer dizer, um conjunto formado por um personagem e uma situação para odiar, evitar e repelir. Por mais estranho que pareça, isso pode ser extremamente divertido. Muita gente prefere passar o dia reclamando de si mesmo a enfrentar uma planilha supostamente chata. Quando finalmente cria coragem, vê que ela não era tão horrível assim. E, ao trabalhar nela, você acaba criando um estado de "fluxo", no qual esquece do próprio sofrimento por alguns instantes.
Já escrevi isso antes aqui, mas não custa repetir. Concentração não é necessariamente ficar atônito, babando fixamente num só objeto ou situação. É ser capaz de retomar o foco cada vez mais rapidamente e por mais tempo. E isso você não vai aprender lutando contra o mundo, nem medindo seu "desempenho". Vai precisar relaxar, fazer amizade consigo mesmo, ser capaz de dançar no meio das inúmeras informações que circulam pelo cérebro. Desconcentrou? Retome o foco gentilmente. Sem transformar a situação numa queda da Bastilha.
enviada por eduf
12/08/2008 15:06
[Vídeo] Como trabalhar sem o mouse
Como trabalhar sem o mouse from Eduardo Fernandes on Vimeo.
Com a popularização dos notebooks e subnotebooks o mouse está ficando obsoleto? É possível substitui-lo por teclas de atalho? Saiba como.
Aplicativos citados no post:
Texter
Quicksilver
TextExpander
TextMate
Atalhos de teclado do Gmail
enviada por eduf
08/08/2008 12:13
10 dicas para fazer palestras como as de Steve Jobs
No início do Magaiver, eu mesmo tentei dar uma de Steve Jobs. Lembra? Confira o vergonhoso resultado, Steve Trampos.
O blog yOZi publicou uma série de dicas para fazer apresentações como as de Steve Jobs, o patrão da Apple. Vou seguir o texto em inglês, mas alterando-o com minhas observações. Vale ler o original aqui.
1. Desperte curiosidade, começando com frases de efeito. Por exemplo, "há algo de novo no ar", que foi como Jobs inciciou a apresentação sobre o MacBook Air. "Hoje, reinventaremos os telefones". Quer dizer: diga algo bombástico ou misterioso, que mexa com as expectativas da platéia.
Cuidado: é bom que você tenha algo realmente interessante para apresentar. Se não o tiver, a estratégia servirá para criar resistência no público. Você será taxado de arrogante.
2. Demonstre entusiasmo. Mas com naturalidade. Note que Jobs vive dizendo coisas como "não é incrível?", "estamos muito empolgados com isso" etc. Mas nunca como se fosse um torcedor fanático de futebol. Ele dá um tom de tranquilidade para a sua grandiloquência. Não parece um sujeito inseguro tentando convencer, mas alguém se divertindo em compartilhar algo em que acredita.
3. Numere os tópicos dos seus assuntos antes de falar. É como se você estivesse elaborando uma lista de tarefas. "Vamos falar sobre vendas em outros países. Tecnologia 3G. Preço mais barato." No final, volte para uma revisão, como quem mostra que cumpriu cada tarefa prometida.
4. Vai apresentar números? Traduza-os para o público. O método de Jobs é apresentar gráficos bem simples ou frases diretas, com a interpretação dos dados.
5. Crie um momento inesquecível, quando você finalmente chegará ao centro do seu tema. E ele deve impressionar. Ainda que geralmente nossas apresentações de trabalho não tenham assuntos tão passíveis de serem concentrados num momento central, podemos organizar os tópicos para evitar a linearidade. Criamos um ritmo e uma dinâmica, variando o tom, com momentos mais sérios, outros mais leves.
6. Crie slides simples, diretos, profissionais. Já tratei desse assunto aqui.
7. Cuide dos detalhes. Sons, músicas, transições de slides, posicionamento no palco. Você não precisa tentar imitar uma apresentação do Calypso ou da Cher, é claro. Mas crie pequenos recursos divertidos que divirtam a platéia.
8. Deixe bem claros os benefícios daquilo que está falando. Todo tema tem uma utilidade específica para sua audiência, senão ela não teria comparecido. Mostre porque a presença valeu a pena. Não espere que as pessoas deduzam.
9. Pesquise, pesquise, pesquise. Não fale de maneira vaga e sem fundamentação. Improviso pode ser interessante. Mas também um desastre. Crie sistemas de ajuda, para a hora das emergências no tema e nos equipamentos que você vai usar.
10. Não tenha medo de dividir o palco. Se for o caso, passe a palavra para outros especialistas, sempre que isso for útil.
enviada por eduf
06/08/2008 11:36
Sanguessugas ou semeadores?
Usuários de clientes bit torrent já devem estar acostumados com a expressão leecher (de "leech", sanguessuga, em inglês). É uma das práticas mais irritantes que existem na internet: a pessoa apenas baixa arquivos, mas não compartilha informação.
Isso acontece em muitos ambientes on-line, não só nos de download. Fóruns, listas de discussão, blogs etc. Recebemos informação passivamente, sem nenhum sentimento de comunidade. Que ótimo que aquele site publique dicas de graça. Não faz mais do que a obrigação. Entro, vejo se algo me interessa e caio fora. Não estou disposto a colaborar, nem sequer apontando erros ou melhorias nas dicas.
Outro dia percebi que, mesmo tendo um blog sobre lifehacking e tecnologia, mesmo compartilhando idéias, músicas e conteúdo próprio na internet desde 2000, ainda sou um belo leecher. Então resolvi doar alguns dólares para alguns dos sites que mais uso. Ainda assim, dei bem menos do que deveria. Porque várias das suas dicas me trouxeram trabalhos, dinheiro ou, no mínimo, economias.
Mas não quero me concentrar no dinheiro. Esses sites me trouxeram sim, pequenas doses de felicidade, nem que seja via distrações. E são mantidos por pessoas que gastam tempo para fazer um bom trabalho.
Por isso iniciativas como a do Augusto Campos, do Efetividade.net e Br-Linux - que fez um concurso com renda revertida para a Wikipedia e outros projetos on-line - são tão importantes. Ajudam a mover nossa mentalidade da coluna dos leechers para a dos seeds.
Então aí vão algumas idéias de como você pode colaborar com seus sites e blogs preferidos:
- - Sugerindo dicas, fazendo comentários construtivos, corrigindo e apontando erros sempre que estiver ao seu alcance.
- - Clicando nos anúncios que lhe interessarem. Muitos blogueiros ganham dinheiro com programas de afiliados.
- - Lincando nos seus sites, recomendando aos amigos, enviando textos por e-mails (sem dar uma de spammer).
- - Doando dinheiro e produtos para promoções e parcerias.
- - Investindo no site (com publicidade etc.)
Nem todos os sites têm estrutura profissional para receber ajuda. Mas sempre se pode fazer algo.
Mas é importante entender o seguinte: não é exatamente o blogueiro ou jornalista que precisa de ajuda. Deixar de ser leecher vai trazer vantagens para VOCÊ. E para o resto da comunidade on-line, claro.
O que você pode compartilhar? O que você sabe - ou tem - que pode ser útil para alguém?
enviada por eduf
06/08/2008 10:34
Como melhorar sua digitação?
Você digita rapidamente? Conhece seus principais erros de digitação? Ou melhor: sabe quais são os padrões de erros que podem causar saias justas na hora de enviar currículos, escrever para blogs, entre outras "situações públicas"? O site PowerTyping.com ajuda a testar suas habilidades e ainda ensina boas dicas para melhorá-las. Um dos testes é bem simples. Basta copiar um parágrafo que é apresentado na tela, da maneira mais rápida que você conseguir. Na sequência, o aplicativo indica não apenas a sua velocidade, como indica seus principais erros de atenção e digitação. Ainda que esteja em inglês, o programa é bastante útil. Melhor que isso, só o teclado japonês que previne os erros.
enviada por eduf
05/08/2008 21:28
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enviada por eduf
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